terça-feira, 14 de novembro de 2017

Qual a sua opinião de católico?



Se não puder ir à missa por estar a trabalhar, ao sábado de tarde nem no Domingo, a melhor solução é deixar o emprego?

Orlando de Carvalho

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Quizz S. Martinho – 11 de Novembro




S. Martinho – 11 de Novembro

Este Quizz/Inquérito sobre São Martinho de Tours pode ser usado como fonte de informação, como entretenimento doméstico ou para ocupar um encontro de catequese, ou alguma actividade relativa a São Martinho.
Depois das perguntas, estão as respostas. Em especial para encontros de catequese, elaborámos uma apresentação em PowerPoint. Quem estiver interessado em receber, pode pedir para o endereço lando.b.r@gmail.com
 
1.    Onde nasceu S. Martinho?
a.    Na Sabária, capital da Panónia, que actualmente se localiza na Hungria. Não confundir com a região da Sabária, na Península Ibéria, entre os reinos suevo e visigodo, no noroeste da actual Espanha.
2.    Porque se chamou Martinho?
a.    O seu pai era um guerreiro romano. Na mitologia romana, Marte é o deus da guerra. Assim, o bebé foi chamado de Martinho.
3.    Os pais de Martinho eram pagãos. Como se converteu o filho?
a.    O pai de Martinho tinha sido transferido para Pavia, em Itália. Ele levava sempre consigo o filho, ainda muito novo, para os acampamentos militares, a fim de que a criança se fosse habituando para vir a ser também soldado. Um dia, por acaso, Martinho entrou numa igreja e ouviu o bispo a pregar sobre Jesus. Foi então que se apaixonou por Nosso Senhor.
4.    Que profissão seguiu Martinho?
a.    Soldado, como era desejo do pai. Foi enviado para Amiens, em França, que na altura se denominava Gália.
5.    Como está S. Martinho associado ao gesto da “partilha”?
a.    Um dia, em que estava extremamente frio, Martinho viu um vagabundo quase sem roupa a tremer de frio. Nada mais podendo fazer, tirou a sua própria capa de soldado e, com a espada, cortou-a ao meio. Deu uma metade ao pobre homem para se proteger do frio e ficou com a outra para si próprio.
6.    Que aconteceu na noite desse dia?
a.    Martinho, em sonho, ou numa visão, viu Jesus cobrindo-se com a metade da capa que dera ao pobre. De manhã, tratou de pedir o baptismo.
7.    Martinho quis abandonar a profissão militar e converter os pais. Sendo rejeitado por estes, voltou a França e fundou o primeiro mosteiro da Europa. Onde foi?
a.    Ligugé. Actualmente denomina-se Abadia São Martinho de Ligugé e pertence à Ordem de S. Bento. Durante a Revolução Francesa foi completamente destruída, como muitas igrejas e conventos. Em 1853 foi reconstruída como ainda existe.
8.    As pessoas aflitas acorriam a Ligugé para pedir ajuda ao frade Martinho. Em determinada altura da sua vida, Martinho teve de mudar a sua residência de Ligugé para Tours. Como foi e porquê?
a.    Quando o Bispo de Tours, a diocese a que pertencia Ligugé, morreu, quiseram que Martinho assumisse o cargo de Bispo. Ele mudou-se, então para Tours, mas recusou viver no Palácio Episcopal. Em Tours passa um rio, o Loire. Martinho mandou erigir um pequeno mosteiro na sua margem e aí passou a residir. Sendo Bispo, quis continuar a levar uma vida conventual, sem luxos, e com muito tempo para a oração.
9.    Que é o Verão de S. Martinho?
a.    É costume, no dia 11 de Novembro, ou nos dias antes e depois, em que o Outono está a chegar ao fim e o Inverno quase a chegar, haver um tempo de sol e calor. Segundo a tradição, tal ocorre para recordar o gesto de S. Martinho ao querer ajudar o pobre homem a resguardar-se do frio.
10. Conheces provérbios relacionados com São Martinho?
a.    No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
b.    No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
c.    No dia de S. Martinho, mata o teu porco e prova o vinho.

Orlando de Carvalho

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O matrimónio de José com Maria

«José, filho de David, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21).
Nestas palavras está contido o núcleo central da verdade bíblica sobre São José; é o momento da sua existência ao qual se referem em particular os Padres da Igreja.
O evangelista São Mateus explica o significado deste momento, esboçando também a maneira como José o viveu. Todavia, para se compreender plenamente o seu conteúdo e o seu contexto, é importante ter presente a passagem paralela do 
Evangelho de São Lucas. Com efeito, a origem da gravidez de Maria, por «obra do Espírito Santo» - posta em relação com o versículo que diz «ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua Mãe, desposada com José, antes de habitarem juntos, achou-se que tinha concebido por virtude do Espírito Santo» (Mt 1, 18) encontra uma descrição mais ampla e mais explícita naquilo que lemos em São Lucas sobre a anunciação do nascimento de Jesus: «O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David. E o nome da virgem era Maria » (Lc 1, 26-27). As palavras do anjo: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo» (Lc 1, 28) provocaram em Maria uma perturbação íntima e simultaneamente estimularam-na a reflectir. Então, o mensageiro tranquilizou a Virgem e, ao mesmo tempo, revelou-lhe o desígnio especial de Deus a seu respeito: «Não tenhas receio, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus dar-lhe-á o trono de seu pai David» (Lc 1, 30-32).
O Evangelista tinha afirmado, pouco antes, que, no momento da Anunciação, Maria estava desposada com um homem chamado José, da casa de David. A natureza destes 
esponsais é explicitada, indirectamente, quando Maria, depois de ter ouvido aquilo que o mensageiro dissera do nascimento do filho, pergunta: «Como se realizará isso, pois eu não conheço homem?» (Lc 1, 34). E então é-lhe dada esta resposta: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a potência do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso mesmo, aquele que vai nascer será santo e há-de chamar-se Filho de Deus» (Lc 1, 35). Maria, embora fosse já «desposada» com José, permanecerá virgem, pois o menino, nela concebido desde o momento da Anunciação, era concebido por obra do Espírito Santo.
Neste ponto o texto de São Lucas coincide com o texto de São Mateus (1, 18) e serve-nos para explicar o que lemos neste último. Se, depois do desponsório com José, se verificou que Maria «tinha concebido por obra do Espírito Santo», este facto corresponde a todo o conteúdo da Anunciação e, em particular, às últimas palavras pronunciadas por Maria: «
Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Correspondendo ao desígnio claro de Deus, Maria, com o passar dos dias e das semanas , manifesta-se, diante das pessoas que contactava e diante de José, como estando «grávida», como mulher que deve dar à luz e que traz em si o mistério da maternidade.
3. Nestas circunstâncias, «José, seu esposo, sendo justo e não a querendo expor à infâmia, 
resolveu desvincular-se dela secretamente» (Mt 1, 19). Ele não sabia como comportar-se perante a «surpreendente» maternidade de Maria. Buscava, certamente, uma resposta para essa interrogação inquietante; mas procurava, sobretudo, uma maneira airosa de sair daquela situação difícil para ele. Enquanto andava «a pensar nisto, apareceu-lhe, em sonho, um anjo do Senhor, que lhe disse: "José, filho de David, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados"» (Mt 1, 20-21).
Existe uma estreita analogia entre a «Anunciação» do texto de São Mateus e a do texto de São Lucas. 
O mensageiro divino introduz José no mistério da maternidade de Maria. Aquela que, segundo a lei, é a sua «esposa», permanecendo virgem, tornou-se mãe pela virtude do Espírito Santo. E quando o Filho que Maria traz no seio vier ao mundo há-de receber o nome de Jesus. Este nome era bem conhecido entre os Israelitas; e, por vezes, era por eles posto aos filhos. Neste caso, porém, trata-se de um Filho que - segundo a promessa divina - realizará plenamente o que este nome significa: Jesus - Yehosua, que quer dizer «Deus salva».
mensageiro dirige-se a José como «esposo de Maria»; dirige-se a quem, a seu tempo, deverá pôr tal nome ao Filho que vai nascer da Virgem de Nazaré, desposada com ele. Dirige-se a José, portanto, confiando-lhe os encargos de um pai terreno em relação ao Filho de Maria.
«Despertando do sono, José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa» (
Mt 1, 24). Ele recebeu-a com todo o mistério da sua maternidade ; recebeu-a com o Filho que havia de vir ao mundo, por obra do Espírito Santo: demonstrou deste modo uma disponibilidade de vontade, semelhante à disponibilidade de Maria, em ordem àquilo que Deus lhe pedia por meio do seu mensageiro.

Redemptoris Custos, João Paulo II, Capítulo 2

 

 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Privilegiados dentro da Igreja




Nas nossas comunidades têm sempre grande relevo as pessoas que contribuem monetariamente para a sua manutenção e subsistência financeira.
Há também aqueles que oferecem o seu trabalho e disponibilidade, mas, em relação a esses, a sua condição limitada remete-os necessariamente para um segundo plano. É naturalmente aceite que a competência e a idoneidade estão directamente relacionadas com a riqueza. O povo até costuma dizer que alguém é de boas famílias quando pertence a uma família que não tem dívidas, nem dificuldades financeiras. Nesta perspectiva largamente difundida, ‘boa família’ não tem a ver com fidelidade dos esposos ou com a boa formação e educação que estes dão aos seus filhos, mas com o facto de não terem sido atingidos por tragédias sociais como o desemprego ou azar nos negócios.
Não devia ser assim entre os cristãos, esta não foi a Igreja que Jesus nos ensinou.

Então Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Eu vos garanto: esta viúva pobre depositou mais do que todos os outros que deitaram moedas no Tesouro. Porque todos deitaram do que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, depositou tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver». (Marcos 12,43-44)

Nas nossas comunidades católicas, as boas ideias, os lugares nos conselhos da paróquia, tal como anteriormente os mordomos das festas nas aldeias, mesmo serviços como o de ministro extraordinário da comunhão, são apanágio dos que podem ‘comprar’ esses lugares, em muitos casos.
Até há casos em que religiosos dentro de conventos são aceites na medida dos contributos financeiros das suas famílias.

A Igreja precisa dessas pessoas para poder subsistir, argumentam os que assim procedem conscientemente, porque muitos apenas cedem ao poder e ao dinheiro sem se aperceberem do que fazem. Mas a Igreja não precisa de dinheiro, precisa mais da solidariedade dos fiéis e do sentimento de partilha viva e activa.

Acolher melhor um estranho porque é rico ou pode trazer mais lucro à comunidade eclesial que um irmão que não é rico nem sequer muito esperto, é pecado. Tanto como é virtude a dádiva dos poucos cêntimos daquela viúva a quem Jesus se referiu e podem nem sequer ser levados em conta os muitos euros oferecidos pelos ricos que são capazes de gastar muito mais que isso em jogo ou luxúria.
Se não acolhemos em Igreja os irmãos por não trazerem mais-valia financeira objectiva, é porque somos nós que não estamos na Igreja, dentro do povo de Deus. Se cumprimentamos o que entra na igreja bem vestido e conhecido por ser rico e poderoso e não damos atenção ao irmão desempregado ou drogado, não somos dignos que o Senhor entre na nossa morada, não somos mesmo.

Subir ao ambão para fazer uma leitura não pode ser por hábito de muitos anos, nem por recompensa. Deve subir quem tiver competência para proclamar com dignidade e souber fazer uma boa leitura. O ambão não é montra de vaidades, mas estrado do arauto de Deus.

E por aqui nos ficamos, por agora.

Orlando de Carvalho


Imagem: Esmola da viúva Kathleen Peterson

domingo, 5 de novembro de 2017

Romance de aluno de escola moderna e avançada

Animais de estimação para adopção?



A Folha Paroquial de San Bartolomé e San Jaime de Nules, Castellón, Valência, Espanha publicou o poema "Romance de aluno de escola moderna e avançada". Houve pessoas partidárias da censura, como a Espanha já teve durante a ditadura, que protestaram e levaram longe o seu protesto. O alcaide do ayuntamiento (presidente da câmara municipal) enviou uma nota de reprovação ao pároco, Reverendo Esteban Badanes.
Fonte: Actuall.com
Deixe ficar o seu comentário sobre este assunto, por favor.
 


Romance de aluno de escola moderna e avançada

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal.
Que esta escola agora
Está a começar a assustar-me.

Dizem-me que o moderno,
É ser experimental,
Que a única coisa importante
É sempre a diversidade,

Com liberdade criativa
E autonomia moral
(E se o professor o diz,
Deve ser a verdade).

Das crianças da minha turma
Não há dois que sejam iguais,
Porque aqui os professores querem
Muita originalidade:

O João gosta de meninas
Assim como tu e a minha mãe,
Às vezes, meninas e meninos,
Para maior variedade;

Para Pedro, só os rapazes
Que que sabem jogar futebol;
O Vicente não se decide,
Ele prefere experimentar;

A Maria tem dois espíritos
Em luta transcendental;
Estela quer ser operada
Para ficar igual ao João;

André diz, muito contente,
Que ele vai sempre mais à frente
Dos papéis criados
Pela sociedade patriarcal;

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal.
O Tiago, além do pai dele,
Tem também duas mães


E o Xavier, todas as semanas,
Estreia um novo pai;
A Jena criou
Um grupo ilegal
Não conhece o pai
Nem a mãe, que importa!

O pai do Albino chama-se
'Inseminação Artificial ',
Porque a mãe pensava
Que isso a realizaria;

Existem famílias numerosas
Como a da Marisa,
Porque lhe adicionaram quatro "irmãos"
(Ela, dois gatos e um cão)
E, segundo dizem os pais,
Amam a todos por igual.

Joaquim é um bebé proveta
E quando ele vai para a cama
Dá sempre dois beijos
Ao seu tubo de vidro,
Porque seus pais trabalham
Dia e noite sem parar.

Eu amo-os a todos
Como amigos de verdade,
Mas sinto-me muito estranho
Por ter mãe e pai.

As outras crianças riem
Até me fazerem chorar
E eles dizem que somos pobres
E não podemos pagar
Um divórcio em condições
Como fazem os outros.

Os outros pensam que é um vírus
Que pode ser contagioso
A que os médicos chamam
"Família tradicional"

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal.
É que, nesta, não me deixam
Estar nem viver em paz

Quando abro a boca
É sempre igual,
Pois se respondo ao professor
Que algo está bem ou mal,
Se defendo o casamento
(Excepto o homossexual),
Se falo de amor para sempre,
Respeito e fidelidade,
Se digo que os meus irmãos
Valem mais do que um animal,
Sou castigado por esperteza saloia
E por ser um radical.

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal,
Que aqui a norma é ser esquisito
E não existe verdade.



 


Romance de aluno de escola moderna e avançada

Animais de estimação para adopção?




A Folha Paroquial de San Bartolomé e San Jaime de Nules, Castellón, Valência, Espanha publicou o poema "Romance de aluno de escola moderna e avançada". Houve pessoas partidárias da censura, como a Espanha já teve durante a ditadura, que protestaram e levaram longe o seu protesto. O alcaide do ayuntamiento (presidente da câmara municipal) enviou uma nota de reprovação ao pároco, Reverendo Esteban Badanes.
Fonte: Actuall.com
Deixe ficar o seu comentário sobre este assunto, por favor.


Romance de aluno de escola moderna e avançada

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal.
Que esta escola agora
Está a começar a assustar-me.

Dizem-me que o moderno,
É ser experimental,
Que a única coisa importante
É sempre a diversidade,

Com liberdade criativa
E autonomia moral
(E se o professor o diz,
Deve ser a verdade).

Das crianças da minha turma
Não há dois que sejam iguais,
Porque aqui os professores querem
Muita originalidade:

O João gosta de meninas
Assim como tu e a minha mãe,
Às vezes, meninas e meninos,
Para maior variedade;

Para Pedro, só os rapazes
Que que sabem jogar futebol;
O Vicente não se decide,
Ele prefere experimentar;

A Maria tem dois espíritos
Em luta transcendental;
Estela quer ser operada
Para ficar igual ao João;

André diz, muito contente,
Que ele vai sempre mais à frente
Dos papéis criados
Pela sociedade patriarcal;

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal.
O Tiago, além do pai dele,
Tem também duas mães


E o Xavier, todas as semanas,
Estreia um novo pai;
A Jena criou
Um grupo ilegal
Não conhece o pai
Nem a mãe, que importa!

O pai do Albino chama-se
'Inseminação Artificial ',
Porque a mãe pensava
Que isso a realizaria;

Existem famílias numerosas
Como a da Marisa,
Porque lhe adicionaram quatro "irmãos"
(Ela, dois gatos e um cão)
E, segundo dizem os pais,
Amam a todos por igual.

Joaquim é um bebé proveta
E quando ele vai para a cama
Dá sempre dois beijos
Ao seu tubo de vidro,
Porque seus pais trabalham
Dia e noite sem parar.

Eu amo-os a todos
Como amigos de verdade,
Mas sinto-me muito estranho
Por ter mãe e pai.

As outras crianças riem
Até me fazerem chorar
E eles dizem que somos pobres
E não podemos pagar
Um divórcio em condições
Como fazem os outros.

Os outros pensam que é um vírus
Que pode ser contagioso
A que os médicos chamam
"Família tradicional"

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal.
É que, nesta, não me deixam
Estar nem viver em paz

Quando abro a boca
É sempre igual,
Pois se respondo ao professor
Que algo está bem ou mal,
Se defendo o casamento
(Excepto o homossexual),
Se falo de amor para sempre,
Respeito e fidelidade,
Se digo que os meus irmãos
Valem mais do que um animal,
Sou castigado por esperteza saloia
E por ser um radical.

Pai, por favor, escuta:
Leva-me a uma escola normal,
Que aqui a norma é ser esquisito
E não existe verdade.