sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Cartaz dominical para o Domingo II do Advento - ano C



Hino à Senhora do Advento



Ó Filha Ilustre de Eva!
Ó Dominadora da Serpente!
No teu seio albergaste
O Libertador do pecado.
Ó Sorriso radioso!
Ó Humildade Santa!
O teu sim ao mensageiro divino
Encerra a nossa vida eterna.
Ó Estrela da Manhã!
Ó Luz pequenina a brilhar!
Ver-te, encontrar-te, é para os homens
Atingir o limiar do Principado da Paz.
Ó Senhora do Advento!
Ó Virgem Grávida!
Contigo aguardamos
O parto virginal.
Ó Glória da Humanidade!
Ó Bendita entre as mães!
Por ti e em ti, o próprio Deus
É Filho do Homem.
Ó Maria de Nazaré!
Ó Virgem de Belém!
Ó Santa de Jerusalém!
Ó Rainha de Portugal!
Dá-nos muito do teu Menino:
Alimenta-nos dessa vida.
Conduz-nos pela mão
À Glória do teu Filho.

Orlando de Carvalho

sábado, 1 de dezembro de 2012


Sinais visíveis do Advento

No lugar mais alto das caravelas embrenhadas na descoberta dos novos mundos, o cesto da gávea, quando o marinheiro de serviço gritava: "Terra à vista" todos sabiam que estava perto o grande momento por que ansiavam.
Assim é o Advento: "Natal à vista".
O Advento é prenúncio de Natal e vários sinais dão-nos conta de que já é Advento.
Alguns são sinais que identificamos na igreja, outros apenas durante a missa.

Roxo

Os paramentos dos ministros são roxos, a estola, o véu que cobre o ambão, por vezes faixas roxas, nalgumas igrejas. Porquê roxo se o Advento é um tempo de esperança, de confiança na vinda gloriosa de Jesus para nos arrebatar para o seu reino? Roxo, porque é um tempo de meditação e interiorização: Que devo mudar na minha vida para me tornar mais leve e poder ser arrebatado aos Céus com maior facilidade? Como devo aligeirar a carga que transporto em mim, para que o meu arrebatamento aos Céus, cedendo ao peso excessivo, não se transforme num naufrágio, que não é desejado por Deus, nem pela minha alma?

Verdura

As flores desaparecem da igreja para recordar que, mesmo vivendo já o Reino dos Céus na terra, todos estamos num tempo roxo, de conversão. A verdura permanece no templo em que a Assembleia se reúne para celebrar, porque é tempo de esperança: Jesus vai chegar e salvar.

Glória

Durante o Advento não se canta o Glória nas missas. Este hino que celebra a Encarnação de Deus será cantado novamente na Missa do Galo e no tempo de Natal com sinos e campainhas, numa grande manifestação de alegria, com a alegria dos anjos na noite de Natal que nos é transmitida por São Lucas.
A excepção é no dia 8 de Dezembro, solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, em que se canta Glória a Deus, honrando a sua Mãe.

Canto

Os cânticos nas missas ao longo do Advento devem estar na linha de preparação para o Deus que vem a nós.

Coroa do Advento

A Coroa do Advento é uma corporização da vivência do Advento em Igreja e nas parcelas da Igreja. Igreja paroquial, a coroa do Advento na Igreja, Igreja doméstica, a coroa do Advento nas casas das famílias, etc.
O acender das velas em cada Domingo do Advento deve simbolizar o crescimento individual e colectivo dos fiéis e da Igreja, a caminho do encontro com Jesus.

Presépio

O Presépio deveria ser um sinal do Natal, mas quem tem tempo para fazer o Presépio no dia de Natal? Assim, ao longo do Advento vão surgindo os presépios. Liturgicamente deveriam ser armados no Domingo IV do Advento, dando início à preparação para a comemoração da celebração da Encarnação de Deus. Isso não é prático, em muitos casos e o importante é que o Presépio cumpra a sua função: altar em que está simbolizado o nosso Deus na sua grande demonstração de amor à humanidade, a sua kenosis (esvaziamento, humilhação), num quadro inspirado nos textos bíblicos.

Árvore de Natal

A árvore de Natal é um símbolo de vida e nós sabemos quão saborosa é a vida em Cristo, a vida que Cristo conquistou para cada um de nós. Cristo que ganhou vida humana num processo que é aquilo em que consiste a celebração do Natal. Haja atenção a que a árvore de Natal é um sinal de vida, mas o Presépio é um verdadeiro altar, onde, ou em torno do qual, o fiel e os fiéis são chamados à oração e á contemplação da misericórdia de Deus.

Decorações de Natal

As decorações de Natal deveriam ser uma expressão da alegria dos homens, em sintonia com a alegria dos pastores e dos magos no Presépio. É, portanto, importante que não se pareçam com uma montagem carnavalesca ou circense. É próprio do comércio utilizar as chamadas decorações de Natal, logo a partir de Outubro, num apelo a que os clientes comecem a comprar coisas para o Natal, mesmo coisas de que ninguém precise, nem ninguém vá utilizar. Não é próprio o cristão confundir umas luzes e uns enfeites festivos coloridos com os sinais de Natal. Pais natais, renas, etc. não são Presépio, Menino Jesus e, muito especialmente no Advento a Senhora do Ó. Esta sim, parece ser o grande sinal de vivência do Advento.

Sinais interiores do Advento

Os sinais interiores do Advento não são visíveis pelos outros, são sentidos pela própria pessoa. Só cada um sente a sua própria conversão ao Evangelho, ao Reino anunciado por Jesus.

Oração

Quem reza e volta a rezar, vai sentido o gosto por rezar, porque rezar é entrar em sintonia com Deus, com a Verdade, com a Caridade. Quanto mais se reza, mais vontade se sente de rezar. E Deus vai àquele que reza e ele sente-se mais feliz, mais perto do encontro real com Jesus.

Esmola

Quem ama o próximo, não teoricamente apenas, mas de facto, dando esmola e dando-se principalmente a si mesmo ao outro, esse vai sentir-se feliz de um modo especial, porque fazer o irmão feliz é a maior felicidade que se pode sentir, é a maior semelhança que se pode ter com Deus.

Jejum

O jejum purifica porque transforma o meu corpo e a minha alma em lugar mais digno para receber Jesus, para se unir a Jesus de tal forma que possamos estar em comunhão completa.
Cartaz Dominical para o Domingo I do Advento ano C

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Advento - 1ª parte

O ano litúrgico é o conjunto das celebrações, ao longo de um período de um ano, em que a Igreja comemora Jesus Cristo, Palavra de Deus e Sacramento, presente na Santíssima Trindade e na Igreja, e o Reino dos Céus com os seus santos e anjos. Como este ano se repete sucessivamente, também se chama ciclo litúrgico.
Este itinerário cíclico tem três etapas principais.
A celebração do Mistério da Encarnação, a celebração do Mistério da Redenção e o Tempo Comum no qual a Igreja celebra o Mistério Pascal, em cada Eucaristia e em cada sacramento.
A celebração do Mistério da Encarnação tem dois momentos: o primeiro é o Advento e a este segue-se o Tempo de Natal.
O Advento são as quatro semanas que antecedem o Natal e tem duração variável. Como o Natal se comemora a 25 de Dezembro, a duração da última semana varia entre um e sete dias, conforme o último Domingo antes de 25 de Dezembro aconteça no dia 24 de Dezembro ou antes, até 18 de Dezembro. Assim, o início do Advento, que é o 1º Domingo do Advento, pode ocorrer entre 27 de Novembro e 3 de Dezembro.
O Advento é um tempo de espera e de preparação: à espera de Jesus e a fazer os preparativos para receber Jesus. As quatro semanas do Advento estão divididas em dois períodos distintos. As três primeiras semanas são de preparação para o encontro com Jesus, no fim, ou no final do tempo terrestre de cada um. Este encontro com Jesus no final dos tempos (não do Tempo, porque acreditamos que o Tempo não termina) chama-se Parusia. Depois destas três semanas (completas) de preparação para a Parusia, há uma semana de duração variável, entre um dia e sete dias, de preparação para a celebração do primeiro encontro com Jesus, a Encarnação de Deus. Esta celebração chama-se Natal.
O Tempo de Natal tem também duração variável, porque, iniciando-se a 25 de Dezembro, o seu termo, na véspera do Domingo em que se comemora o Baptismo de Jesus, no início de Janeiro, dependente da data da Páscoa.
O Advento é pois um período de preparação para o encontro com Jesus que se realiza pela  conversão do coração e da mente à maneira de viver de Jesus. O encontro com Jesus é o início de uma vida em comum com Jesus e, para essa vida em comum, somos nós que temos de nos converter à maneira de viver dEle e não o contrário, porque Ele é a Verdade. E como não é fácil viver à maneira dEle (pagar o mal com o bem) é necessário que a pessoa se prepare (convertermos-nos a que o Natal é dar prendas e não receber prendas, é partilhar e não esbanjar, é diálogo em oração e não folclore e pais natais).
O Advento é um tempo propício à oração, ao jejum e à esmola.