segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Intervenção política de Pio XI

1937, tomada de posição política do papa Pio XI
 
Pio XI publica a Carta Encíclica Mit Brennender Sorge (Com ardente preocupação) a 14 de Março. A carta está escrita em alemão e não em latim para poder ser facilmente compreendida pelo povo alemão a quem se dirige especialmente. O papa condena o nazismo e Hitler. A carta foi lida no Domingo, 21 de Março, em todas as missas, em todas as igrejas alemãs. No dia seguinte todas as instalações ligadas à Igreja foram inspeccionadas pela Gestapo e posteriormente milhares de padres e leigos foram presos e sofreram como todos os outros prisioneiros dos nazis.
Enquanto a generalidade dos governantes e políticos europeus e americanos mantinham atitudes politicamente correctas, o papa optou pela mais forte contestação que o regime hitleriano sofreu, em toda a sua existência e marcando uma posição clara no xadrez político. Os fiéis ficaram alertados para a opção diabólica que tomariam apoiando o regime alemão.

video 
Vídeo em https://www.youtube.com/watch?v=-dllk9v7F-Y

 
Apenas cinco dias depois, Pio XI publica nova Carta Encíclica, a Divini Redemptoris, de 19 de Março, em que condena o comunismo em termos muito semelhantes aos que usara para condenar o nazismo. Recordando para a condenação ao comunismo que vinha sendo feita pelos seus antecessores desde há um século, o papa alerta para as formas subtis como sob diversas aparências a ideologia comunista tenta infiltrar-se em todas as organizações e religiões.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Homilia não é charla




“Se bem me lembro…” foi um programa da RTP entre 1969 e 1975 que o Professor Vitorino Nemésio apresentou e com o qual reunia Portugal inteiro a escutar um erudito catedrático a falar de coisas intelectuais e a fazer profundas reflexões de modo acessível a qualquer cidadão com cultura académica de topo ou analfabeto. Estas são características que devem assistir a qualquer homilia. Acontece que como o próprio afirmava, as suas conversas, a que assistíamos em frente ao televisor, eram charlas. Vitorino Nemésio tinha um discurso que não seguia um rumo, pelo contrário, ele deixava-se seguir para onde as palavras o levavam, mudando de rumo a todo o momento. É evidente que para fazer isto em directo em frente às câmaras da televisão é necessário possuir um dom. O dom da charla.

Uma aula não pode ter o ritmo de uma charla na medida em que há ensinamentos a transmitir aos alunos e, por essa razão, o professor tem que preparar a aula. Erradamente muitos professores não o fazem e têm o desplante para chegar ao ponto de alegar falta de tempo, e o resultado está reflectido nos conhecimentos e capacidade de pensar dos seus alunos, da população estudantil actual e dos que têm concluído os seus estudos nos últimos anos.

Uma homilia não é uma aula, mas de certeza que não é uma charla.

Infelizmente assistimos a homilias que são mal preparadas ou não preparadas de todo. Há pessoas que são capazes de dar aulas de improviso, de dar uma catequese de improviso, de fazer uma leitura de improviso, ou mesmo de fazer uma homilia de improviso. Mas há sempre um risco subjacente que se traduz tantas vezes num contexto triste em que o auditório é mal servido porque o ministro faz um mau serviço. Quantas pessoas são convidadas para fazer uma leitura, apenas uns minutos antes de a celebração começar? E quantas destas recusam dar uma simples olhada prévia ao texto, argumentando que sabem ler muito bem? O resultado infelizmente fica depois patente perante toda a assembleia.

O papa Francisco tem dado o testemunho de como se pode dizer tanto em três ou quatro minutos. Não sabemos se prepara sempre as leituras ou se tem um dom, seja como for, o resultado é manifestamente bom. Ele devia ser um exemplo para todos os padres, incluindo aqueles que o elogiam mas não se dão ao trabalho de fazer uma verdadeira pregação evangélica.

Não está aqui em causa uma censura ao trabalho dos padres, menos ainda tomados em geral, mas uma exortação a que se consciencializem todos, nomeadamente os mais distraídos, da necessidade de transmitir de modo digno a Palavra de Deus, com tanta dignidade como se transporta numa procissão eucarística o mesmíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. E o papa Francisco tem feito tantos apelos para que os padres tomem atenção às homilias que produzem!

Os discursos de Jesus às multidões não foram charlas e também as homilias não o podem ser, devem ser espaços em que previamente foi preparada a intervenção do Espírito Santo, feita através do homiliante. Se o coração do homiliante não foi antecipadamente um centro de acolhimento do Espírito Santo e de auscultação do mesmo, como pode a homilia ser bem sucedida?

Hoje falamos da preparação e da estrutura da homilia, mas voltaremos a outros aspectos não menos importantes deste importante momento da vida da Igreja.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Corpo Pão Palavra

Desenvolveu-se a ideia de que a Bíblia é um livro sagrado e uma noção
de sagrado que em nada ajudam ao acolhimento da Palavra de Deus pelos
fiéis.
Sagrado é aquilo que está impregnado de santidade. As pessoas foram
criadas por Deus, assim ensinou Jesus de Nazaré, em ordem à santidade, ou seja, Deus criou as pessoas para serem santas. Santas, à imagem e
semelhança de Deus. O Deus do Antigo Testamento, perante o Qual se
deviam descalçar os sapatos, desviar o olhar, não pronunciar o nome, esse Deus quase inacessível, foi actualizado pelo Filho do Homem.
Jesus, Deus filho de Deus, da mesma substância que o Pai, ajoelhou
perante os homens e lavou-lhes os pés, trocou olhares e parava a sua
marcha, detendo-Se para atender quem chamava pelo seu nome; ensinou que
nós também devíamos chamar o seu Pai por Pai. Jesus revelou-Se muito
próximo das pessoas, logo na Encarnação, mas em momentos especiais
como a Transfiguração ou na Transubstanciação. Disto resulta que o
sagrado não é o que deve ser contemplado à distância, respeitosamente, sem ousar tocar e sentir o deleite desse toque, mas algo que deve ser
acolhido com ardor, tocado até nos configurarmos, comungarmos e nos
entrelaçarmos.
Por todas estas razões, a Bíblia não deve ser apenas contemplada, mas
vivida com todos os nossos sentidos e dela devemos tirar o máximo
proveito. Eu escrevo nas margens das folhas de papel da Bíblia, tomo
notas, registo as ideias importantes que consigo apreender, de modo a
tirar o maior proveito da escuta da Palavra. Grandes sábios tomaram
notas importantes, nalguns casos descobertas depois da sua morte, nas
margens de livros que estavam a ler. Ora, a Bíblia é mais importante
que esses livros, porque é o Livro da Vida e da Plenitude.
É errado assumir a Bíblia como objecto de decoração, arrumada numa
estante, bonita e bem encadernada, usada como um crucifixo ao peito, para pôr em evidência a fé do seu dono.
Eu tomo notas nas margens da minha Bíblia e uso-a à exaustão, até ao
ponto de parecer um livro velho e mal cuidado. Mal cuidado não é, mas
tem grande uso, que se revela depois no aspecto das folhas.

Escrevo nas margens da Bíblia e faço sublinhados e intercalo
marcadores onde também escrevo e, pasme-se, escrevo durante a missa,
em papel, ou no bloco de notas do meu telemóvel. Provoco um pouco de
escândalo, mesmo entre as pessoas que têm o telemóvel ligado durante a
missa e saem, a meio, a correr, com o telefone que tocou, encostado ao
ouvido, a sussurrar, de modo que toda a assembleia ouve: Estou na
missa, que queres?
Não tomamos todos nós notas durante uma aula, enquanto assistimos a uma conferência ou escutamos uma palestra? O que se diz na homilia é menos importante? É para esquecer? Às vezes parece que são esquecidas antes de a missa acabar, ou nem são escutadas. Ou será que a homilia é apenas para inteligências superiores com maior capacidade de memorização que aqueles que vão às conferências, etc.?

Ter na frente um prato muito bem confeccionado e deixar uma parte por causa da etiqueta é algo que muitos aprendemos. Mas a quem serve tal etiqueta? Talvez aos ricos que podem comer mais um prato de outra coisa qualquer. Assim é com o Corpo de Cristo. Podermos saboreá-lO no pão consagrado ou na Palavra escutada e dispensá-lO não é inteligente nem proveitoso. Saboreemos Jesus com todos os sentidos, com a inteligência, com o coração, mesmo com a intuição, incorporemo-lO e cresçamos à imagem e semelhança de Deus, em santidade, sendo felizes.

3 de Abril de 2016

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Oração a Nossa Senhora do Silêncio, Knock, Irlanda



      Grande Maria,
      Maior das Marias,
      Maior das mulheres,
      Mãe da Glória Eterna,
      Mãe da Luz Dourada,
      Honra do Céu,
      Templo da Divindade,
      Fonte dos Jardins,
      Serena como a Lua,
      Brilhante como o sol,
      Jardim fechado,
      Templo do Deus Vivo,
      Luz de Nazaré,
      Beleza do mundo,
      Rainha da Vida,
      Escada para o Céu,
      Mãe de Deus.
      Rogai por nós.