segunda-feira, 27 de março de 2017

Lobby contra Jesus

A central nuclear de Almaraz está em funcionamento irregular e ilegal, terminado que foi o seu prazo de validade. Quando comemos um alimento fora do prazo de validade, sabemos que pode não acontecer nada de especial, mas que há a hipótese de ficarmos doentes ou mesmo morrer.
Para a manutenção de Almaraz, existe um lobby muito forte. Uma criança que nos ouvia conversar quis saber o que era um lobby. Socorri-me do Evangelho. Daí nasceu este vídeo.

vídeo "Lobby contra Jesus"

Leia também:

 Como tratamos este Evangelho num encontro de catequistas:

terça-feira, 21 de março de 2017

Cura do cego de nascença


Os catequistas do Meganúcleo da paróquia de Loures estudam o Evangelho do próximo Domingo.


Em São João, as narrativas evangélicas perdem um pouco a cadência mais ou menos cronológica dos sinópticos e ganham em reflexão e exposição teológica.


Passar um serão a estudar o Evangelho é fazer como os namorados: conhecer melhor o seu amor, aprofundar o enlace e admiração pelo outro, entender as razões da sua paixão para atingir a plenitude numa união conjugal abençoada.
Conhecer melhor Jesus para O amar com mais força.


Como o cego de nascença curado por Jesus que vai ao seu encontro assim acontece connosco.


Descobrimos uma pessoa que vem ao nosso encontro e que começamos por chamar pelo seu nome (homem, Jesus).


Depois reconhecemos nessa pessoa um profeta. Mais: um profeta que nos dá uma visão nova.


Alguém que adora Deus e faz a sua vontade. Alguém que não pode vir senão de Deus.


Até à conversão final e profissão de fé: Eu creio, Senhor!

Evangelho segundo São João 9, 1-41
Catequistas, estivemos a forjar, em nós, uma renovação dos nossos corações. 
Vem, Senhor, ao nosso encontro e dá-nos vista, ilumina as nossas vidas e as dos nossos catequizandos.
Ámen.


Orlando de Carvalho

segunda-feira, 20 de março de 2017

Maria e a Santíssima Trindade



Maria é filha de Deus. Jesus ensinou-nos a todos a rezarmos “Pai que estais no Céu…”.
Maria é esposa de Deus. “O Espírito Santo virá sobre Ti e o poder do Altíssimo Te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de Ti será chamado Filho de Deus.”
Maria é mãe de Deus. “Eis que vais ficar grávida, terás um Filho e dar-Lhe-ás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo.”
Maria é filha de Deus Pai. Ela é esposa de Deus Espírito Santo. E é mãe de Deus Filho.
A Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo estabelecem as fronteiras que delineiam a pessoa de Maria.
Maria vem do Pai, recebe do Espírito Santo o sentido da sua vida e gera Jesus.
Ao contrário das acusações formuladas por muitas seitas contra a fé mariana que radica no Evangelho, Maria não é Deus, não é uma das pessoas do Mistério da Trindade, mas Deus constitui-Se a Si mesmo numa certa dependência de Maria, ela que foi o vaso através do qual Jesus encarnou.

Em Fátima, excelente altar neste mundo, ainda antes da aparição de Maria, já o Anjo vinha promover a devoção dos pastorinhos à Santíssima Trindade.
Maria sempre invocou a Santíssima Trindade e para Deus Trino encaminhou o culto que naquele lugar se estabeleceu. Finalmente, a Basílica da Santíssima Trindade, recentemente edificada, substantiva o que está no centro de Fátima: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ao chamar o povo para si, Nossa Senhora, guia as pessoas para o único Deus, para o verdadeiro amor.

Não deve ser do agrado de Maria a existência de alguma imagem sua nalguma capela, oratório, casa de família ou na rua, que não esteja acompanhada de algum símbolo explícito de Deus, nomeadamente a cruz. Tenhamos sempre isto em atenção. Não é verdade que não há dezena, terço ou rosário sem cruz?

Orlando de Carvalho

sábado, 18 de março de 2017

Catequese? Que se aprende lá?



O Dinis é um miúdo activo, não hiperactivo, diligente e bem educado. Questões familiares não lhe permitiram a desejada constância nas participações na catequese, mas temos conseguido transpor as dificuldades.

Deixei um desafio a todas as crianças do nosso Núcleo de Catequese:
- Há um prémio para quem conseguir, na escola, pôr toda a sua turma a rezar!
Quiseram logo saber qual a prova que eu exigia no caso de alguém conseguir o feito, mas eu começo por confiar em todos e não por exigir provas. Só preciso delas depois de me darem razões a que o faça. As crianças ficaram admiradas, mas espero que para elas tenha passado o mesmo sentimento de conforto que eu senti perante a confiança da minha mãe em mim, quando todos me acusaram.
Hoje o Dinis veio reclamar o prémio. Tinha posto a turma toda a rezar ao Espírito Santo, no início de uma aula.




Esta história não trata de um elogio ao Dinis, mas de um desafio aos catequistas.
De que serve virem à catequese, e emigrarem da Igreja definitivamente quando recebem o Crisma? Casarem-se sem se casarem? Depois casarem-se com a absoluta consciência de que se a coisa correr mal, se divorciam. Virem tantos anos à catequese e terem vergonha de afirmar a fé junto de amigos e colegas? Virem à catequese para depois embarcarem nas tretas do aborto, da eutanásia, talvez da pena de morte, da igualdade de tratamento que merecem pessoas e animais?

Quando o Dinis contou, a meu pedido, a sua história, diante de uma assistência não pequena, a Ana Maria, catequista, perguntou, de imediato, espantada:
- E não tiveste vergonha, Dinis?
Ele não mentiu:
- A princípio tive, mas depois… depois…

Esta história é um desafio aos catequistas, a todos os catequistas. Fazei este desafio aos vossos catequizandos, crianças, como o Dinis, ou adolescentes. Fazei-lhes outros desafios em que tenham que correr riscos, pôr em causa o bom nome de que desfrutarem entre os amigos e colegas. Oração, jejum, castidade, abstinência, partilha… há tantas coisas em que eles podem dar testemunho, testemunho de sacrifício, mais doloroso que as já habituais, embora importantes, visitas a lares ou casas de acolhimento de crianças abandonadas.
Desafios a sério, para o catequista e para o catequizando. Nós somos filhos da Igreja e essa Mãe lembra-nos constantemente os nossos irmãos, seus filhos como nós, que testemunham Cristo com a própria vida, em tantos lugares pelo mundo fora onde somos perseguidos, torturados e mortos, por sermos cristãos.

Que não façam o Crisma e depois andem a espalhar que andaram na catequese, no coro, que foram acólitos e até catequistas, mas que não acreditam em nada daquilo, que não têm tempo para aquelas historietas.
Que façam o Crisma e levem a boa recordação de que a catequese foi um tempo de batalha consigo mesmos, de conversão, de testemunho, de heroísmo. Não são as tardes de prazer com os amigos que nos marcam e endireitam a coluna vertebral, que nos trazem o sabor agridoce da vida e nos preparam para uma idade adulta livre de corrupção e desonra, mas aquilo que conseguimos com as nossas mãos, com o nosso trabalho e empenho, com a nossa “vergonha ao princípio”, depois vencida.
Comecemos por fazer do Evangelho uma narrativa, como convém aos mais pequenos, mas façamos por o transpor para a vida de cada um, actualizemos o Evangelho na vida de cada um, demos as mãos aos nossos catequizandos, para que o caminho para o Reino dos Céus lhes seja aplanado, mais parecido com uma auto-estrada que com um complexo encadeamento de arruamentos e atalhos que a mais não conduzem que a algum beco sem saída ou ao quintal de alguém.

Orlando de Carvalho



Confissão no Vaticano




Exame de consciência distribuído na Basílica de São Pedro
 
- Esqueci-me ou, propositadamente, não confessei pecados graves na confissão anterior ou em confissões passadas? Tenho reparado os erros que eu fiz?
- O meu coração está verdadeiramente orientado para Deus; posso dizer que realmente O amo acima de todas as coisas, e com amor de filho na fiel observância dos Seus mandamentos? Deixei-me absorver demasiado por coisas materiais? É sempre recta a minha intenção no agir?
- Aderi totalmente à doutrina da Igreja? Preocupei-me com minha formação cristã, ouvindo a palavra de Deus, a participando em catequeses, evitando qualquer coisa que pudesse minar a minha fé Professei sempre com coragem e sem medo a minha fé em Deus e na Igreja? Mostrei na vida pública e privada que sou cristão ?
- Rezei de manhã e à noite? E a minha oração é um verdadeiro colóquio coração a coração com Deus, ou é apenas uma prática externa vazia? Soube oferecer a Deus as minhas ocupações, alegrias e tristezas? Recorro a Ele com confiança, mesmo nas tentações?
- Santifiquei o Domingos e as festas da Igreja, participando atenta e piedosamente nas celebrações litúrgicas, especialmente a Santa Missa? Observei o preceito da confissão, pelo menos anualmente, e comunhão pascal?
- Existem para mim outros "deuses", isto é expressões ou coisas que me interessam mais do que confiar em Deus, por exemplo: riqueza, superstição, espiritismo e outras formas de magia?
- Para os pais: Preocupei-me com a educação cristã dos meus filhos? Dei-lhes um bom exemplo?
- Para os cônjuges: Fui fiel tanta nas afeições como nas acções? Fui compreensivo nos momentos de maior ansiedade (entre o casal)?
- Respeitei a verdade e fidelidade, ou causei danos nos outros com mentiras, calúnias, deduções, julgamentos temerários, violação de segredos?
- Fiz ou aconselhei o aborto? Na vida matrimonial segui e respeitei o ensinamento da Igreja sobre a abertura à vida? Agi contra a minha integridade física (por exemplo: esterilização)? Fui sempre fiel, mesmo com a mente?
- Vivo com a esperança na vida eterna? Tentei reavivar a minha vida espiritual com a oração, leitura e meditação da palavra de Deus, a participação nos sacramentos? Mortifiquei-me? Mostrei-me pronto e determinado a acabar com os vícios, a subjugar as paixões e inclinações perversas? Reagi por causa da da inveja? Dominei a gula? Fui convencido e soberbo?
- Que uso fiz do tempo, das forças, dos dons recebidos de Deus como o "talento do evangelho"? Uso todos esses meios para crescer cada vez mais na perfeição da vida espiritual e no serviço dos outros? Fui inerte e preguiçoso? Como usei a Internet e outros meios de comunicação?
- Suportei com paciência, num espírito de fé, as dores e provações da vida? Como procurei praticar a mortificação, para cumprir o que falta à Paixão de Cristo? Obedeci ao preceito do jejum e da abstinência?
- Guardei puro e casto o meu corpo, no meu estado de vida, pensando que é o templo do Espírito Santo, destinado a ressurreição e glória? Mantive os meus sentidos protegidos e evitei ficar sujo no espírito e no corpo com maus pensamentos e desejos, palavras e acções indignas? Permiti-me leituras, palestras, performances, entretenimento em contraste com a honestidade humana e cristã?







domingo, 12 de março de 2017

II Ano Mariano

O Cálice de Maria (Frei Rupnik), Capela Redemptoris Mater, Vaticano

25 de Março de 1987 - Publicação da Encíclica Redemptoris Mater, que define o Ano Mariano, pelo papa S. João Paulo II.
6 de Junho de 1987 – Oração Mariana. A mundovisão liga 14 santuários marianos e o papa João Paulo II, no Vaticano, na recitação do Rosário, na Vigília de Pentecostes.
Os santuários ligados:
Fátima (Portugal); Lourdes (França); Munique (Alemanha); Knock (Irlanda); Czetochowa (Polónia); Saragoça (Espanha); Mariazell (Áustria); Santuário Nacional da
Imaculada Conceição (Washington D.C U.S.A); Guadalupe (México); Aparecida (Brasil); Lujan (Argentina); Dakar (Senegal); Manila (Filipinas); Bombaim (Índia).
Assim, por meio deste Ano Mariano, a Igreja é chamada não só a recordar tudo o que
no seu passado testemunha a especial cooperação materna da Mãe de Deus na obra da salvação em Cristo Senhor, mas também a preparar para o futuro, na parte que lhe toca, os caminhos desta cooperação salvífica, dado que, com o final do Segundo Milénio cristão, se abre como que uma nova perspectiva.
Maria é um sinal de esperança segura e de consolação para o Povo de Deus
peregrino... (da Encíclica «Redemptoris Mater 48-49)


sexta-feira, 10 de março de 2017

Jornal do PCP ataca o Papa


O comunista Jorge Messias atacava assim a Igreja, na pessoa do papa. Talvez seja de leitura útil para algumas pessoas bem intencionadas que tentam conciliar cristianismo e comunismo. Que acreditam que não há incompatibilidade entre ser católico e comunista.

Transcrevemos a notícia que pode ser encontrada clicando aqui.



O Vaticano e a diplomacia «a retalho»

Se tivéssemos a ambição de tentarmos compreender o sentido geral da intervenção do Vaticano e do Papa nas questões do mundo real diríamos, adaptando uma máxima antiga, «Ser Papa é reinar na Igreja e no Universo». Neste sentido, a estratégia da doutrina exige aos sumos sacerdotes que abandonem as comodidades das suas cátedras e percorram o mundo, tecendo e entretecendo contactos e alianças, nos quadros dos interesses globais da Igreja. Sem, naturalmente, esquecer que o Vaticano e o capitalismo, laico e político, têm perspectivas perfeitamente afins. São aliados naturais. Os ricos reinam sobre os pobres porque «Deus o quer». E o mundo sem o primado dos ricos e dos poderosos acabaria por desabar. Importa pois talhar e retalhar nações e territórios, de forma actuante e em moldes actuais, modernos, através da diplomacia itinerante, do espírito de missão e da presença constante dos cardeais e do Papa, por toda a parte, nas quatro partidas da Terra. Estas são as premissas das políticas da Igreja.
Bento XVI é nitidamente um «homem de gabinete». Até há bem pouco tempo quase poderia dizer-se que raramente saía dos domínios pontifícios. Inesperadamente, começou a viajar. E de entre as suas deslocações, uma avulta de importância, aquela que o levou a Israel e à Palestina. É no Médio Oriente que bate o coração do capitalismo e se faz a guerra ou se decide a paz. Desde a Revolução Industrial que assim tem sido. O Médio Oriente é o portal da estratégia e a terra do petróleo e da Cidade Santa. Uma porta que se abre ou fecha com as chaves de S. Pedro que Ratzinger detém.
Ao longo de múltiplas conversações com os «testas de proa» do petróleo e da fé, Ratzinger, como seria de esperar, moveu-se com o maior à-vontade. Atou e desatou o novelo da intriga em que é perito. Disse e desdisse-se conforme a oportunidade, o tempo e o meio. Deu o dito por não dito em relação aos genocídios nazis. Mas não mudou de opinião quanto aos bispos que negaram e negam a monstruosidade desses crimes. Condenou com grandes palavras o terrorismo árabe mas esqueceu o outro terrorismo, aquele que se pratica impunemente, de Telavive a Guantánamo. Dissertou acerca da liberdade religiosa, omitindo extorsões e chacinas que se praticam sobre os povos árabes, em nome da fé. Ainda o Papa estava no Médio Oriente, a comunicação social informava que, no Iraque, os blindados norte-americanos costumavam ostentar dísticos com versículos do Velho Testamento cuja filosofia é a cultura do ódio ao mundo árabe. Tanques cujas granadas devastadores já causaram a morte e a mutilação de centenas de milhares de civis. Bem perto, em Jerusalém, Ratzinger desmentia uma acusação que nunca contestara: a de que na sua juventude tinha pertencido às juventudes hitlerianas.

Cá e lá más fadas há ...

Enquanto Bento XVI cumpria a sua parte no grande espectáculo, a diplomacia «a retalho» afadigava-se em visitas aos pontos vitais que basilam o sonho de transformar a crise económica numa nova era de saque capitalista. Mal partira Ratzinger de regresso a Roma, Cavaco Silva foi à Turquia, Netanyahu visitou Obama e Mubaraque, David Brown fez uma peregrinação-relâmpago pelos países sul-americanos produtores de petróleo e Durão esteve em Moscovo. Houve múltiplos contactos entre políticos, banqueiros e alto clero. O que torna mais que evidente existir uma ligação entre estas movimentações, a crise capitalista, a visita do Papa e os laços que unem os interesses do Vaticano ao grande capital financeiro. Segundo um conhecido analista político israelita – Nitzan Horowitz – «Bento XVI está a explorar o seu estatuto para semear a desunião no mundo». São palavras que fazem todo o sentido.
As principais propostas apresentadas pelo Papa nesta digressão pela Palestina
(dois Estados, derrube do muro da Cisjordânia, fim do bloqueio a Gaza, etc.) são plenamente irrealizáveis, pelo menos nesta fase. E Bento XVI bem sabe que assim é.
Tão simples como isto: enquanto o crude estiver no mercado aos preços actuais e a crise financeira permanecer, as estratégias de zonas tão sensíveis como as do Médio Oriente serão mantidas. À custa de quantos sacrifícios, isso não importa. A questão é de vida ou de morte para os lobbies capitalistas. Mas é igualmente importante manter as aparências. Fazer propostas generosas que ninguém acolhe. Distrair os homens e inventar uma solidariedade que ninguém sente. Dividir e agir na sombra. Quanto mais pobres e crédulos forem os povos, maior será o poder dos ricos.
São tácticas de há muito conhecidas que servem a itinerância dourada dos políticos e sacerdotes capitalistas. Cá e lá más fada há...